AVESSO

Apresentação

AVESSO é um projeto de longa-metragem documentário para televisão e cinema com 75 minutos de duração sobre o estupro e a condição feminina em nossos dias de hoje a partir do olhar de mulheres vítimas de abuso sexual. A partir da experiência individual de cada uma das nossas personagens será montada  uma narrativa em primeira pessoa que  vai dialogar com a experiência da diretora do documentário, que teve que lidar com agressões físicas e psicológicas na infância e na adolescência.

O Projeto e sua Justificativa

O documentário tem o objetivo de fazer uma investigação sobre o comportamento machista  em nossa sociedade, absorvido por homens e mulheres, e enraizado no nosso dia a dia, fazendo com que ações violentas contra a figura feminina sejam banalizadas. Nossa premissa é deixar que o espectador se reconheça em “pequenas ações” com o intuito de fazer com que o cinema sirva como um espelho da alma, capaz de levá-lo a reavaliar seu comportamento e suas ideias. O filme pretende  tirar o lugar de normalidade das atrocidades vividas por milhares e milhares de mulherestodos os dias, onde os desabafos ganham força e viram unidade, não só pela narrativa do filme em si, mastambém pela repercussão que pretendemos dar a ele. Sempre usando a estética da sensibilidade para retratar o universo feminino, AVESSO é um filme feito por mulheres para mulheres. Uma voz para somar em meio à multidão.

 

Teaser:

 

Público Alvo

O público alvo deste filme é formado por mulheres e homens de todas as idades, mas, principalmente, mulheres das classes A, B, C, D e E de todo o Brasil. Isso porque, como já abordado antes, a cultura do estupro está presente em todos os cantos do país e, atualmente, tem se tornado uma questão seriamente discutida em fóruns públicos, no Congresso e nas redes sociais.

É nosso desejo que AVESSO seja exibido em escolas, universidades, postos de saúde de cidades distantes dos grandes centros,  entre outros, fomentando o debate com os jovens e adultos e buscando  reflexões sobre os padrões de comportamento sociais buscando a mudança de atitude e padrões.

Argumento

Muitas são as mulheres vítimas da violência doméstica e no trabalho diariamente. Enfrentam jornadas triplas, não têm direito à autonomia do seu corpo – que dirá de sua vida – e são pressionadas não só por familiares ecompanheiros, mas também por uma sociedade que vive com um pé no futuro e o corpo no passado. Uma sociedade à qual todos nós pertencemos e, portanto, somos atores da perpetuação de suas bizarrices.Discutimos muito sobre as mudanças estruturais pelas quais o país tem que passar, citando saúde, educação, transporte, segurança, mas esquecemos dos problemas ligados à cultura. Tratamos aqui de uma “cultura deestupro” enraizada em nossa sociedade que desrespeita milhares de mulheres, tirando delas um direito fundamental: o direito de escolha.

Nos últimos anos, avançamos consideravelmente em termo de conscientização e exposição do problema,mas, apesar dos diversos aparatos que nos cercam, estes avanços ainda estão longe de serem considerados suficientes questão distante.

Educamos mulheres para sobreviver em um mundo sexista e violento, com restrições de roupas e lugares quepodem frequentar. Esta naturalização da cultura do estupro perpetua a forma utilizada por diversas gerações para constranger mulheres, mantendo-as submissas aos homens, dando a eles o controle docorpo e da sexualidade feminina. A cultura do estupro é o processo sistemático de constrangimento quegarante a manutenção dos papéis sociais de cada gênero.

Estupro não é sexo; estupro é violência, é disputa de poder. A Cultura do  Estupro  só  reforça  as  bases  do  poder  em  nossa sociedade.

“Sou cineasta formada e em atividade, vítima de estupro na infância e na adolescência. Como vítima, afirmo que a rejeição e o preconceito em relação ao meu caso – inclusive por parte da família me maltrataram mais do que o ocorrido em si. Durante anos o que me restou foi o silêncio”, Letícia Pires